Ela de cabelo preso e cara de sono. Eu com decote nas costas e sorriso no rosto. Esse foi o primeiro encontro daquilo que não éramos mais. Minha tentativa de simpatia frustrou-se diante de seu olhar inócuo e sem emoções.
A decepção de não ter sido recebida com um abraço logo passou.
O segundo encontro depois de nossa separação não demorou mais que algumas horas, na tarde do dia seguinte. O orgulho dela não deixou ela levantar nem da cadeira que sentava para vir falar comigo. Eu e minha falta de vergonha na cara fomos até ela dar um oi. O consolo de tudo foi que – pelo menos – ela teve educação suficiente para vir até minha mesa dar um tchau, quando estava indo embora.
O que ficou de tudo isso foi o terceiro encontro, logo mais a noite.
Ah, o terceiro encontro.
Eu já tinha certeza de tudo que iria acontecer quando a vi de longe, aproximando-se com um sorriso lindo no rosto, com toda a simpatia e carinho de sempre – e me deu, além de um beijo e um abraço, uma droga para apaixonados.
Ela me diz que não sabia de nada, que não queria nada, que não tinha intenção alguma. E eu já sabia como esta noite iria terminar. Se tem uma coisa que eu conheço nessa vida, são as drogas que nos fazem alucinar, como o amor, a saudade e o LSD.
Enquanto o efeito desta última acelerava nossos ritmos, aumentava-se também a intensidade de todo amor que sempre existiu e a saudade ressecava minha boca de vontade do gosto dela.
Do beijo ao esquecimento foram 2 segundos e meio. Esqueceu-se que acabou. Esqueceu-se que eram passados quase 3 meses desde que nos separamos. Esqueceu-se orgulho, raivas e rancores.
As borboletas no estômago e a sensação de aperto no peito fazem a gente esquecer qualquer coisa. E como foi bom estar com ela novamente.
“Eu te amo muito, gordinha”
“Amor, eu tava com tanta saudade”
“Eu só faço besteira quando estou longe de você”
“E agora? Eu não sei como agir agora, amor”
“Sabe, eu acho que eu vou sentir isso pra sempre… eu acho que nunca vai acabar.”
Por quase 3 meses ela me tirou de sua vida totalmente. Onde está o chaveiro do carro? Cadê o travesseiro da saudade? Onde deverá estar minha escova de dentes, que dormia junto da dela? Me senti triste por isso durante 5 minutos, quando percebi que do lugar mais importante, ela não tinha me tirado. Eu ainda estava lá, habitando aquele coração às vezes tão frio.
Juntas, por 24 horas, conseguimos disfarçar nossa saudade. E juntas, pelas 24 horas seguintes, nos rendemos somente a nossa vontade de estar perto.
Estar junto, nem sempre significa relacionamento. E essa foi a melhor não-volta de namoro da minha vida.