Hoje eu só preciso colocar pra fora qualquer coisa que me angustia, qualquer coisa que dói, que destrói, que mata por dentro. Uma saudade que atormenta. Um desejo contido. Uma amargura que aflige um coração de mãos atadas.
Hoje eu preciso colocar pra fora essa raiva que me consome. É tão difícil ver as pessoas que mais amamos sofrendo por falta de companhia, de atenção, de carinho, de amor. Ainda por cima quando a gente sabe que isso poderia ser resolvido facilmente e não o é.
Sobre saudade eu entendo. E deve ser exatamente por isso que ando tão sensibilizada ultimamente.
Queria estar perto de você, pai. E não deixar que nenhuma saudade lhe atormentasse, que nenhuma solidão chegasse perto e nenhum o amor lhe fosse ausente.
Apenas a saudade não justificaria minhas lágrimas. Mas a raiva justifica sim, a raiva de não poder fazer nada pra arrancar essa tristeza que te assola por estar longe de tudo e de todos. E principalmente por não ver razão nenhuma nisso, já que teu motivo maior de ter ido embora não quis ficar perto de você.
O que me rege é a esperança de que sintas esse meu amor que vai de longe, todos os dias, ao teu encontro.
“Adeus meu tempo de chorar
E não saber porque chorar
Adeus, minha cidade
Adeus, felicidade
Adeus, tristeza de ter paz
Adeus, não volto nunca mais
Adeus, eu vou me embora
Adeus e canto agora
O que eu cantava sem chorar…”

