“A minha vida parece tão pequena às vezes. Passo os dias pensando em detergente e compras, ou como vou tirar a mancha do tapete. Não é a vida que pensei que poderia escolher pra mim. Mas alguns dias eu observo e percebo que eu sou feliz. Juro por Deus que sou feliz com minha vida.” Gabrielle Solis, em Desperate Housewivess
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A morte – Em resposta
1 Maio, 2009 · Deixe um comentário
M.,
Realmente, existem muitas formas de morte. E a pior, talvez seja esta de quem continua vivo fisicamente, pois não nos deixa esquecer. Por outro lado, a nossa determinação é quem dita o esquecimento, pois é nela e com ela que alimentamos algo que sempre vai existir, quieramos ou não, acreditemos ou não: o sonho e a esperança. Sempre haverá sonho e esperança. É próprio do ser humano, sem eles perdemos o rumo. Para onde iremos sem a capacidade de sonhar? Aquele sonho que não nos tira do chão duro em que pisamos, da realidade em que vivemos? O sonho de poder, como diz o poeta, “transformar as terças-feiras mais cinzentas em manhãs de domingo”. O que será de nosso amanhã sem a esperança de um novo amor, de uma vida melhor, mais amadurecida, mais firme? A morte existe sim e sempre vai existir, vivemos a cada dia a finitude de algo bom ou ruim, mas finitude. Contudo, a vida continua pulsando em corações como o seu, jovem, belo, forte. Viva , então, e seja feliz pois ser feliz é uma conquista de cada minuto da vida. Isso eu sei que vc sabe fazer, pois vejo em você o perfil de uma grande guerreira.
Tia N.
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As sem razões do amor
21 Abril, 2009 · Deixe um comentário
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
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Caio F.
20 Abril, 2009 · Deixe um comentário
“Que era uma mulher e amava, que era uma mulher e amava, queeraumamulhereamavaqueeraumamulhereamavaqueeraumamulhereamava foi repetindo e repetindo até libertar-se de tudo.”
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A Raisin in the Sun
29 Março, 2009 · Deixe um comentário
- Oh, child, when you think is the time to love somebody the most? When they done good and made everything easy for everybody? That’s what you think? You ain’t done learning. The time to love the most is when he’s at his lowest and can’t believe in hisself ’cause the world done whipped him so. When you starts to measure somebody, you measure them right. Measure him right. Make sure you done taking into account all the hills and valleys he come through before he got to wherever he is.
- Filha, quando acha que deve amar mais ainda as pessoas? Quando elas agem direito e tornam tudo fácil para os outros? É isso o que pensa? Você ainda não aprendeu. A hora de amar mais é quando ele está no fundo do poço e não acredita em si, porque o mundo o derrotou. Quando começar a julgar alguém, julgue direito. Julgue-o direito. Leve em conta todas as colinas e os vales por onde ele passou antes de ter chegado aonde está.
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Ausência
21 Janeiro, 2009 · Deixe um comentário
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada.
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O amor nos tempos do cólera
17 Dezembro, 2008 · Deixe um comentário
“As muitas viúvas de sua vida, a partir da viúva de Nazaret, tinham tornado possível que ele vislumbrasse como eram as casadas felizes depois da morte dos maridos. O que até então tinha sido para ele mera ilusão se converteu graças a elas numa possibilidade que se podia colher com a mão. Não encontrava razões para que Fermina Daza não fosse uma viúva igual, preparada pela vida a aceitá-lo tal como era, sem fantasias de culpa pelo marido morto, resolvida a descobrir com ele a outra felicidade de ser feliz duas vezes, com um amor de uso cotidiano que convertesse cada instante num milagre de viver, e com outro amor, dela só, preservado de todo contágio pela imunidade da morte.”
Gabriel García Márquez, em “O amor nos tempos do cólera”
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O sumiço de Maria Rosa
27 Julho, 2008 · 1 Comentário
Foram só quinze dias de um idílio diferente, entre eu e Maria Rosa. No começo, quando apareceu na minha calçada, quando me aproximava, mesmo para dá comida ela fugia e entrava num cano (seu esconderijo, até para fugir dos cachorros). Mas o tempo e os meus afetos foram nos aproximando, ela já ousava ficar no meu colo e me acompanhar quando eu andava. Onde estará Maria Rosa? Posso até tê-la matado, pois ela aprendeu a entrar no motor do carro. Joana, no seu eterno pessimismo, diz que ela deve ter ficado entalada no cano, pois estava crescendo e engordando. Ela veio numa hora certa, onde minhas angústias, minhas saudades e minhas tantas coisas que nem sei dizer, ficava a procura de algo, um complemento, qualquer coisa para preencher este vazio imenso que se formou. Quando Joana estava longe, nós nos curtíamos melhor, até flagrei ela correndo, dando pulos, numa demonstração de alegria, talvez me agradecendo. Como foi efêmero e breve e este amor. Só faz 12 horas que ela sumiu, e se estou escrevendo estas besteiras, é por que não tenho mais esperanças de encontrá-la, até andei aqui pelo bairro, olhando, procurando, tudo em vão. Só Monique partilhava comigo esse amor por Maria Rosa, até porque não encontrei mais ninguém para dividir as minhas alegrias em ter perto aquela coisinha preta, completamente preta, só os olhos de um verde intenso e sofrido, também pudera, nascida na rua, sem ninguém a lhe querer. Fico com a tristeza mais profunda sem ter com quem compartilhar, pensar que não tenho o que fazer, então estou escrevendo sobre ela, mais não vou esquecer jamais, aquele olhar penetrante, talvez até só de agradecimento, depois do leite Molico que eu roubava de Joana (no começo achou ruim, depois se acostumou).Tentei educá-la, não deixando ela entrar em casa, afastando-a de Joana, até com medo que ela a repelisse, mas o tempo, tenho certeza, iria aproximá-las. Não sei se aparecerá outra Maria Rosa, entre tantas que perambulam pelas sujas ruas desta cidade. Pequei, eu sei, pois devia ter seguido os conselhos, parece que de me pai, que os gatos não têm amor, aparecem e desaparecem, deixando a saudade e a dor.
Ismael (meu pai)
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O preço de ser diferente
17 Junho, 2008 · Deixe um comentário
Quando a sociedade estabeleceu um modelo de normalidade, criou uma guerra antropológica com a natureza humana.
A diversidade natural é real e em torno dela age a funcionalidade da ecologia, que trabalha em favor do progresso de todos.
Cada um de nós é único, com um temperamento original relativo às necessidades essenciais do progesso pessoal e coletivo. Quem resolve seguir o modelo se ilude bloqueando a expressão de sua alma, criando insegurança, doença, desilusão e sofrimento.
Os iludidos dão mais importância às aparências do que à verdade, que prioriza os valores eternos do espírito.
Servos do mundo, sofrem o mundo.
Em razão disso, quem assume sua verdade e age de acordo com os valores da Vida, mesmo enfrentando o preconceito e pagando O PREÇO DE SER DIFERENTE, passa credibilidade, obtém respeito e se realiza.
Porém os escravos do preconceito estão se candidatando no futuro a experimentar as mesmas experiências que criticaram, a fim de aprender a conviver com as diferenças.
FRATERNIDADE é o resultado da capacidade de apreciar as diferenças.
Luiz Gasparetto, na contra capa de O preço de ser diferente, de Mônica de Castro ditado por Leonel;
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Trechos para o momento
11 Junho, 2008 · 1 Comentário
#1
Dá vontade de mandar meia dúzia de gente tomar no cu e correr pra casa chorando, se trancar no quarto pra tomar um toddy e jogar playstation até ficar vesga. Isso de escolher qual cara eu vou vestir hoje fode com tudo. Sempre. É, eu confesso que não é exatamente a realidade que eu esperava encontrar. Talvez isso mude. Talvez você entre na minha vida sem tocar a campainha e me sequestre de uma vez. Talvez você pule esses tres ou quatro muros que nos separam e segure a minha mão, assim, ofegante, pra nunca mais soltar. Talvez você ainda possa pular no rio e me salvar. Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Porque no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia.
#2
Mas depois passou. Tudo se acalmou.
Foi só um momento ruim.
Essas fases más, de falta de paz,
De insônia e de botequim.
Mas cansei de vagar, fiquei farto de bar,
De perfume vulgar, cigarro e gin.
Eu não tenho ninguém, mas preciso de alguém,
Pra evitar o meu fim.
Eu não posso ocultar o que o amor me fez.
Eu não quero passar por tudo outra vez
Pra sofrer e chorar mais uma ilusão,
Eu me ajeito com a solidão.
#3
“Que foi que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro, e não queria lembrar mas não me saía da cabeça (…) perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidário e positivo, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária, bababá bababá.”
#4
“No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza.”
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